quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Serenata


Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos?
Só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei se não for santa?
Adélia Prado

Poema da Esperança

Em plena juventude, qual verde uva que aguarda a Primavera para enriquecer-se de vinho, anelei pelo amor, a fim de ser feliz.
O amor passava de longe com guizos e guirlandas de flores cantando aos ouvidos de outros corações em festa, enquanto eu aguardava, triste e só.
Na maturidade da vida, ainda mantinha a esperança de ser penetrado pela sua claridade abençoada, todavia, não consegui viver o calor da sua presença.
Agora, que me debruço à janela da velhice, fitando a ponte que me levará ao país de lá, noutra dimensão, o Amor passa, com alegria, pela minha porta entreaberta.
Coloco, apressadamente, flores de laranjeira na casa do meu coração e atapeto o chão para que ele entre com pés de prazer, iluminando a escuridão da minha soledade.
Da janela engalanada, vibrando de emoção, ouço o cortejo real que o traz, aproximando-se, e vejo as bailarinas que dançam, e penetra-me os ouvidos a música embriagadora, anunciando a sua chegada.
Tremo de ternura, mas já não sofro desejo nem aflição.
Ele detém-se, e os seus olhos felizes fitam os meus olhos quase apagados, reascendendo neles a luz que volta a brilhar novamente.
Há tanta beleza no Amor que me inebrio.


Livro Estesia - Tagore - Psicografia: Divaldo P. Franco

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Meu pecado


O MEU MAIOR PECADO É COMETIDO CONTRA MIM MESMA:

PERDER O CONTATO COM A MINHA MAIOR VERDADE,

COM A MINHA MAIOR CRENÇA!

(Sandra) 

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Tagore - Outra vez


Eu sei que só as lutas do ideal da verdade são legítimas.
Fiz-me timoneiro do meu barco para bem conduzir o destino e navego pelo mar da ilusão.
As tempestades vencidas me trouxeram cansaço e as distâncias conquistadas me enriqueceram de tédio.
Agora, sentindo a minha desdita, tomas em tuas mãos o meu leme e me pedes para confiar.
O que eu deveria ter feito, tu o farás num momento. Tu apagas a minha lâmpada de luz bruxuleante e acendes o teu sol de imortalidade sobre o meu corpo que tomba inerte. Esta viagem será de curso rápido e duração sem limite pelo novo oceano por onde me conduzes, meu amo, minha verdade eterna, e eu me acalmo feliz.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Ou Isto ou Aquilo - Cecília Meireles


Ou Isto Ou Aquilo (Cecília Meireles)
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco,
não sei se estudo,
se saio correndo
ou fico tranqüilo.
Eu gosto muito de Cecília Meireles. O tempo da sua poesia cabe direitinho no meu tempo. Assim eu me liberto do meu mundo e me encanto com o meu mundo real. Sou assim! Não me explico nem espero que me entendam!
Escolher é o meu maior martírio, pois sempre fico insegura se fiz a melhor escolha, pois me importa o resultado das escolhas. E se eu tivesse escolhido a outra alternativa...

Emmanuel

Deus não reclama da semente a produção imediata da espécie a que corresponde. Dá-lhe tempo para germinar, crescer, florir e frutificar.

Não solicita do regato improvisada integração com o mar que o espera. Dá-lhe caminhos no solo, ofertando-lhe o tempo necessário à superação da marcha.


EMMANUEL

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dia de Finados


Hoje, 2 de novembro, Dia de Finados, reverenciamos os nossos mortos queridos, esquecidos e desconhecidos, heróis e algozes, perseguidos e perseguidores, condutores de almas, construtores da felicidade, do conhecimento e da arte, da alegria e do prazer, da saúde e da paz, também os construtores de todas as dores e doenças.

Reverenciamos enfim, toda a humanidade de Espíritos que há milhões de anos vem, num eterno ir e vir, fazer cumprir o seu destino final: voltar à presença do Pai através do suor do próprio rosto, num trabalho árduo, mas também belo de construção de personalidades, para que num futuro muito próximo as virtudes sejam as características principais dos homens que habitarão a terra prometida por Jesus.

Namastê

"Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”.

Allan Kardec

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Bom dia!


Eu sou um caminhante lento,
mas eu nunca caminho para trás.
Abraham Lincoln


*****************


Quando caminhares, te guiará; quando te deitares,
te guardará; quando acordares, falará contigo.

Provérbios 6:22

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Feliz!

Espero com esperança o dia da minha redenção!

(Sandra)


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Perante a criança

PERANTE A CRIANÇA

A n d r é L u i z
Ver, no coração infantil o esboço da geração próxima, procurando ampará-lo em todas as direções.
Orientação da infância, profilaxia do futuro.
Solidarizar-se com os movimentos que digam respeito à assistência à criança, melhorando métodos e ampliando tarefas.
Educar os pequeninos é sublimar a Humanidade.
Os pais espíritas podem e devem matricular os filhos nas escolas de moral espírita cristã, para que os companheiros recém-encarnados possam iniciar com segurança a nova experiência terrena.
Os pais respondem espiritualmente como cicerones dos que ressurgem no educandário da carne.
Distribuir incessantemente as obras infantis da literatura espírita, de autores encarnados e desencarnados, colaborando de modo efetivo na implantação essencial da Verdade Eterna.
O livro edificante vacina a mente infantil contra o mal.
Eximir-se de prometer, às crianças que estudam, quaisquer prêmios ou dádivas como recompensa ou estímulo pelo êxito que venham a atingir no aproveitamento escolar, para não viciar-lhes a mente.
A noção de responsabilidade nos deveres mínimos é o ponto de partida para o
cumprimento das grandes obrigações.
Não permitir que as crianças participem de reuniões ou festas que lhes conspurquem os sentimentos, e, em nenhuma oportunidade, oferecer-lhes presentes suscetíveis de incentivar-lhes qualquer atitude agressiva ou belicosa, tanto em brinquedos quanto em publicações.
Em toda a divulgação, certame ou empreendimento doutrinário, não esquecer a posição singular da educação da infância na Seara do Espiritismo, criando seções e programas dedicados à criança em particular.
Sem boa semente, não há boa colheita.

("Conduta Espírita", 21, W.V., FEB)
Site: ADDE

Cora Coralina


O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada, caminhando e semeando, no fim você terá o que colher.
Cora Coralina


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Página Azul


No país de minh’alma há um rio sem mágoas,
Um rio cheio de ouro e de tanta harmonia,
Que se cuida escutar no marulhar das águas
Do sussurro de um beijo a doce melodia.
Este rio é o meu sonho, um sonho azul e puro,
Como um canto do Céu, como um braço do Mar;
Loura réstia de sol a rebrilhar no escuro,
Casta luz que cintila em torno de um altar.
De um altar que palpita e que sofre e que sonha,
Soletrando a cantar a linguagem do Amor...
Do altar do Coração, a paisagem risonha
Onde brotam sorrindo as ilusões em flor.
Vem beber, meu amor, neste rio que é fonte,
É fonte de esperanças e lago de quimera...
Vem morar n’um país que não tem horizonte,
Onde não chora o Inverno e só há Primavera.
Auta de Souza

domingo, 17 de outubro de 2010

Ao meu pai!



Ao meu pai querido, aquele que me apresentou Jesus e seus ensinamentos; aquele que me conduz ao caminho do bem; aquele que me ensina a amar, confiar e esperar com fé e alegria; aquele que me ensina o verdadeiro sentido da palavra paz; aquele que me deu a conhecer a maior alegria de todas, dedico hoje, os meus melhores pensamentos, os meus melhores sentimentos e, sobretudo o meu amor e a minha gratidão eterna, pedindo a Jesus que lhe cubra de bênçãos de muita paz!
Amo o senhor, doutor!!!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Saudade


De minha mesa ao pé da janela observo as gaivotas que revoluteiam por sobre as águas espumosas do mar, nessa hora, todo dourado.
Penso em você. E esse pensar me conduz a épocas que parecem perdidas no tempo.
Espero você. Olhando a aurora, antevejo a noite.
Vivendo da espera, chego novamente a auroras que se sucedem num minuto sem fim.
Vejo você, e esses gestos pensados e seguros. Esse elevar, esse sorrir que eu conheço tão bem.
Não pense que fico sem você. Não.
Espero e quando a espera fica insuportável, vou ao meu amigo e arranco dele uma torrente de notas que se encadeiam umas às outras e saem pela minha janela, invadindo o ar e o mar com minha melodia.
Até as gaivotas sentem, elas até me fazem companhia, como essa aurora que é companheira e como o ocaso que me brinda com a sua lembrança de sempre.
Espero você, com o mesmo amor de sempre.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Momento com Tagore II



**Saudade**


Vencido pela profunda angústia da minha mágoa, despertei quando o jovem rosto da manhã adornado de luz e o mar de nuvens viajeiras, me convidaram para o banquete do dia.
Levantei e percebi que não fora um pesadelo... A presença da sua ausência era a mais pura e triste realidade...
Não sei dizer ao certo se é a presença da ausência ou a ausência da presença, ou, talvez seja, simplesmente, saudade...
Lá fora tudo respirava perfume e os braços do vento, carregando o pólen da vida, cantavam nos ramos do arvoredo delicada canção...
Saí a correr, tentando fugir da furna escura dos meus padecimentos.
A presença invisível do bem-amado fazia-me arder em febre de ansiedade, enquanto os pés ligeiros das horas corriam à frente impondo-me fadiga e desconforto...
Embriagado pela saudade, meu ser ansiava pela paz...
Em vão tentei exaurir as forças para livrar-me da dor, mas não lograva libertar-me do punhal da melancolia cravado no coração, e da lembrança da sua ausência...
Quando, enfim, a tarde se escondeu ao longe das montanhas altaneiras, outra vez tombei em mim mesmo, extenuado e só...
Naquele momento desejei que o Todo Poderoso me dominasse com os fortes recursos da soberana misericórdia, livrando-me de mim mesmo...
Parecia que não mais suportaria o espinho da saudade cravado em meu peito, já dorido e exausto...
A ausência da sua presença queimava as fibras mais sutis da minha alma.
E a presença da sua ausência feria-me o coração dilacerado e só...
A noite devorou o dia, e, ao escancarar a sua boca negra, mostrou a primeira estrela engastada no manto escuro, vencendo as sombras...
Minutos depois, miríades de astros brilhantes compuseram o diadema da vitória total da luz...
Só então, solitário e meditativo, compreendi como a minha canção de dor chegara aos ouvidos do Criador, que me respondeu em vibrações fulgurantes de esperanças à distância...
Só então compreendi que não há escuridão que resista a um simples raio de luz, e decidi acender a chama da esperança em minha alma.
E, só então, pude ouvir o Sublime Cancioneiro do silêncio e Suas melodias repletas de sons e paz, convidando-me a confiar em Seu infinito poder e entregar-me aos braços suaves da esperança..
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A QUEM SE MACHUCA


Inimigos são duas pessoas pertinho uma da outra. Só que de costas. Há duas situações inimigas dentro do amor. Pertinho e uma de costas para outra. Ambas ameaçam dar certo e não dar certo.
Quando se ama, tanto se teme enfrentar a possibilidade de dar certo, cheia de prisões e tentáculos, como o risco de não dar certo e ficar rompida uma harmonia que poderia ter funcionado.
Ambas as situações convivem em quem ama: porque "viver bem" não é dar certo. Dar certo é ser capaz de prosseguir apesar do desacerto: "Viver mal" não é necessariamente dar errado. Dar errado é não poder prosseguir.
Composto também de partes inimigas, o amor se enriquece dos cansaços incapazes da destruição. Só vive do imperfeito de cada confronto. Só é, quando vive ameaçado de deixar de ser. Caso contrário, não seria: simplesmente deixaria de ser.
Os inimigos são duas pessoas pertinho uma da outra, mas de costas, porque se se virarem encontrar-se-ão. E é isso o que temem. São mais unidos, talvez, que amigos, um de frente para o outro, mas a metros ou quilômetros de distância, e só por isso se entendem.
O medo de amar é o medo de estar perto demais (ainda que de costas) o que de certa forma escraviza. O engano de amor é estar longe, mas de frente, o que de certa forma atenua.
A coragem de amar equivale à coragem de ser: é fazer dois inimigos, de costas um para outro, virarem-se de frente para sentir hálito, olho, medo, força, ternura, muita raiva e muito carinho e aceitar tudo, por isso amar.
A falsidade do amor é permanecer de frente como amigos: pura e simplesmente se aceitando. Sem contradita. Sem a oposição capaz de ser vencida pela permanência do sentimento, a despeito do eu de cada um.
O medo de quem ama é o medo da relação profunda porque nela está a entrega que não rompe, apesar das tragédias da superfície. E a superfície só faz a tragédia, para impedir que o eu contemple de frente a relação profunda. Esta contém o que não se destrói, apesar das diferenças.
Na relação profunda está o desamparo e a necessidade tão pura que nunca pôde vir à tona. Na relação superficial está a fantasia, o eu idealizado, a armadura enfeitada de cada um.
Quem se relacionar ao nível da armadura será feliz no começo, na fase hipnótica do amor. Quem preferir o nível profundo de relacionamento talvez seja até infeliz. Mas amará. A infelicidade pode fazer virar as costas para o inimigo, separasse dele. Mesmo assim não será maior que o amor adivinhado e sentido, se a relação é profunda.
Não te vires de frente para o inimigo! Podes amá-lo. Ele vai adivinhar, e tu também, o amor que está na peleja de quem ama. Não fiques tão de frente, mas tão longe de quem gostas. No que chegares perto, talvez detestes e sejas detestado.
Amar é estar de costas. Gostar é estar de frente. Um ultrapassa a inimizade que vive junta. Outro vive da amizade fácil, mas que se se aproximar pode não ser amor. Por isso era tão fácil sentir.
Amar é apesar. Ë através. Ë a despeito, mas é com. Amar, às vezes, é contra, mas perto e fundo. Mesmo de costas. Ë malgrado. É com ferida e cicatriz, mas íntegro.
Amar fundo é ter medo de virar de frente. Porque aí pode surgir, cristalina, a possibilidade de dar certo. E a entrega.
Que é, no fundo, o que mais teme quem ama.
Artur da Távola

terça-feira, 21 de setembro de 2010

SER TÍMIDO



O que é, para você, ser tímido? Ficar num canto, medão dos outros, calado, mordido por si próprio, incapaz de gesto ou palavra? Não. Isso é ser inibido.
Ser tímido é ter o gosto da multidão e temê-la.
Ser tímido é ficar com vergonha pelo outro. Ë saber que pode duvidar de tudo.
Ser tímido é preferir calar sabendo o que falar. É não entrar nas disputas, cortado por elas, por dentro. É ficar mais do lado do garçom que do próprio e construir só na imaginação tudo que tem de melhor. E não se expor nunca, babau para as eficiências ou glórias.
Ser tímido é esperar que o descubram. É invejar sem inveja. É ser capaz de se emocionar com certos poucos que a sensibilidade escolhe e sabe de onde vêm, nas poucas vezes em que chegam.
E se querer primeiro e se esperar por último. É zangar com as próprias raivas e duvidar sem temor.
Ser tímido é ter um orgulho! E curtir até com soberba emoções de somenos para os outros, e ser humilde naquilo de que os demais se orgulham.
Ser tímido é manter o espanto do olhar de qualquer criança frente ao estranho. Ou abrir os braços para ele sem saber por quê. É estragar as defesas todas pelo sorriso. E temer a quem ama e detestar a quem teme.
Ser tímido é querer a gravata borboleta que nunca usará. É encontrar calor nas derrotas e temer ganhar, pelos outros.
Ser tímido é sentir alegria no que não dá resultado e enfadar-se com as vitórias. É esperar algo que não se sabe, mas se aguarda com fé.
Ser tímido é trabalhar no que não dá e gastar o tempo por um critério muito pessoal e impossível de explicar às pessoas práticas.
Ser tímido é ficar sempre do lado de fora da vitrina.
É gastar pérolas ou suéteres onde não deve. É ser provisório. É poder ter brinquedos emprestados. É permanecer gostando.
Ser tímido é entender cães e crianças. Pode ser falar muito. Pode ser até brilhante. Pode ser luzir. Mas sem raiva, senão de si mesmo, por ofuscar os outros. O tímido é o rei do sentimento do outro no lugar do próprio. É um doente do melhor de si mesmo.
Ser verdadeiramente tímido é nunca saber o impreciso limite entre timidez e fraqueza. É ser tolerante com ambos. É ser duro como pedra consigo mesmo e sentir-se responsável não pelo cartão do ponto, mas pela sensibilidade dos demais.
Ser tímido é poder querer. É fazer sem que saibam, mas ter necessidade de que saibam.
Ser tímido é ser temeroso da própria vaidade, é querer entrar na festa, eterno penetra da alegria alheia porque a sua é secreta.
Ser tímido é rir para, em vez de rir de.
Ser tímido é procurar saber, é querer a justiça, é esperar que os outros reconheçam. É situar tudo no plano do afoito ou do afeto, mesmo quando não existem.
Ser tímido é transformar-se em flores. É manter a pão e água o que não se dobrou. O que resiste. O que não se entrega. O que é mais forte até do que o desejo de não ser tímido. É ficar de longe, intenso, mas imperceptível.
Ser tímido é emocionar-se demais e pairar olímpico. É ter recato pelo que não pode e não diz, não fala e resiste. Ser tímido é viver convalescendo de si mesmo, ontem. Mas igual amanhã, arre!
É ter perdido a visão heróica de si mesmo e sentir-se muito melhor, embora julgasse que ia ser insuportável.
Ser tímido é esperar que o sintam, sabendo-o impossível mas sabendo-se possível.
É voltar para casa numa solidão de luas e cães.
Ser tímido é manter viva a criança, rolar pelo chão com a vida que não teve, feliz porque ela se prolongou na fantasia. É levar a vida que teve dentro da pasta, disponível.
Ser tímido é saber mais do que faz. É ficar feliz quando pontas do que é e sente são percebidas de graça. Num ato, gesto, olhar ou bofetada. Ser tímido é gostar de chuva. É rezar. É ter saudade do pai.
Ser tímido é ser rei, na madrugada de seu reinado escondido e deslumbrante.
(Artur da Távola)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

UM DIA... (Mário Quintana)


...Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.

Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...

Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer ...

Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...

Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...

Um dia percebemos que o comum não nos atrai...

Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom...

Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...

Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."

Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...

Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...

Enfim... Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Momento com Tagore


**Flor de Lótus**


No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração.



**Desejo**


Desejo dizer-lhe as palavras mais profundas, mas não me atrevo, porque temo sua gozação. Por isso acho graça de mim mesmo e transformo em brincadeira meu segredo.
Duvido de minha angústia, para que você não duvide.
Desejo dizer-lhe as palavras mais sinceras, mas não me atrevo, porque temo que não acredite. Por isso as disfarço de mentiras e digo o contrário do que penso.
Me esforço para que minha angústia não pareça absurda para que você não ache que é.
Desejo dizer-lhe as palavras mais valiosas, mas não me atrevo, porque temo não ser correspondido. Por isso me declaro duramente e me orgulho de minha insensibilidade.
Desejo sentar-me silenciosamente a seu lado, mas não me atrevo, porque temo que meus lábios traiam meu coração. Por isso falo disparatadamente, escondendo meu coração atrás das minhas palavras.
Trato a mim mesmo com dureza, para que você não o faça.
Desejo separar-me de você, mas não me atrevo, porque temo que descubra minha covardia. Por isso levanto a cabeça e fico perto de você com ar indiferente.
A constante provocação de nossos olhares remove minha angústia sem piedade.


**Minha canção**


Minha canção te envolverá com sua música, como os abraços sublimes do amor. Tocará o teu rosto como um beijo de graças. Quando estiveres só, se sentará a teu lado e te falará ao ouvido. Minha canção será como asas para os teus sonhos e elevará teu coração até o infinito. Quando a noite escurecer o teu caminho, minha canção brilhará sobre ti como a estrela fiel. Se fixará nos teus lindos olhos e guiará teu olhar até a alma das coisas. Quando minha voz se calar para sempre, minha canção te seguirá em teus pensamentos.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Nosso Lar - O filme



Tarde de domingo, 05 de setembro de 2010, fui a Rio Preto para assistir ao filme "Nosso Lar".
Certo que a minha expectativa era enorme.

Primeiro porque sou espírita, e é muito bom ver aquilo que cremos ser divulgado com o propósito de tornar melhores e encher de esperanças milhares de corações;

Segundo: porque li e estudei o livro (com narrativa de André Luiz, psicografado por Chico Xavier) e por isso guardo no meu coração que é certo, que é verdade que estas cidades como o "Nosso Lar" são reais.
Senão como seria a vida depois da morte? Onde viveríamos, considerando que o Espírito sobrevive à morte do corpo?

Enfim, eu adorei o filme, achei de excelente qualidade e bom gosto. Achei que os temas que foram escolhidos para serem abordados foram ótimos.

Fiquei feliz, a Doutrina Espírita está ganhando mundo!



sábado, 4 de setembro de 2010

Prece ecumênica

(Todos temos em nós uma centelha divina. Uma luz que provém de um Ser Superior, que é o Criador e Protetor de todos nós. E é a esse Ser Superior que oramos agora).

"Tu que nos criates, inspira-nos a agir com dignidade e decência;
Ensina-nos a amar e a respeitar ao próximo como a nós mesmos;
Leva-nos a apreciar nossos semelhantes, não pelo cor da pele, nem pela religião que professa, nem por sua posição na escala social;
Mas, acima de tudo, por suas qualidades como ser humano e por nossa filiação divina.

Mostra-nos que por mais que pareçamos diferentes uns dos outros, somos todos iguais em tuda presença.
Ajuda-nos a confiar em ti em todas as horas.
Quer estejamos sãos ou enfermos; quer esteja nossa vida difícil, ou plena de realizações.

Acima de tudo, fazei com que encaremos o dia de hoje não como um fardo, mas como uma dádiva, porque no raiar de um novo dia, há sempre uma mensagem de esperança".

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

DEZ MANEIRAS DE AMAR A NÓS MESMOS

Dez Maneiras de Amar a Nós Mesmos

1 - Disciplinar os próprios impulsos.
2 - Trabalhar, cada dia, produzindo o melhor que pudermos.
3 - Atender aos bons conselhos que traçamos para os outros.
4 - Aceitar sem revolta a crítica e a reprovação.
5 - Esquecer as faltas alheias sem desculpar as nossas.
6 - Evitar as conversações inúteis.
7 - Receber o sofrimento o processo de nossa educação.
8 - Calar diante da ofensa, retribuindo o mal com o bem.
9 - Ajudar a todos, sem exigir qualquer pagamento de gratidão.
10 - Repetir as lições edificantes, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, perseverando no aperfeiçoamento de nós mesmos sem desanimar e colocando-nos a serviço do Divino Mestre, hoje e sempre.

Francisco Cândido Xavier.
Da obra: Paz e Renovação.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

NÃO SEI

Não sei...

Se a vida é curta ou longa demais para nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
Se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa do outro mundo,
É o dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira,
Pura...
Enquanto durar...

“Feliz aquele que transfere o que sabe
E aprende o que ensina”.

Cora Coralina

Bichinhos

Declara-se você esgotado pelos conflitos internos da instituição espírita de que se fez devotado servidor, e revela-se faminto de uma solução para os problemas que lhe atormentam a antiga casa de fé.
Lutas entre companheiros e hostilidades constantes minaram o altar do templo onde, muitas vezes, você observou a manifestação da Providência Divina, através de abnegados mensageiros da luz, e hoje, ao invés da fraternidade e da confiança, do entusiasmo e da alegria, imperam no santuário a discórdia e a dúvida, o desânimo e a tristeza.
Pede-nos você um esclarecimento, entretanto, a propósito do assunto, lembro-me de velha e valorosa árvore que conheci em minha primeira infância. Verde e forte, assemelhava-se a uma catedral na obra prodigiosa da Natureza. Cheia de ninhos, era o palácio predileto das aves canoras que, em suas frondes, trinavam felizes. Tropeiros exaustos encontravam à sua sombra, que protegia cristalina fonte, o reconforto e a paz, o repouso e o abrigo. Lenhadores, de quando em quando, furtavam-lhe pedaços vivos e peregrinos ingratos roubavam-lhe ramos preciosos para utilidades diversas. Tempestades terríveis caíam sobre ela, anualmente, oprimindo-a e dilacerando-a, mas parecia refazer-se, sempre mais bela. Coriscos alcançaram-na em muitas ocasiões, mas a árvore robusta ressurgia, sublime. Ventanias furiosas, periodicamente, inclinavam-lhe a copa, decepando-lhe galhos vigorosos; a canícula demorada impunha-lhe pavorosa sede e a enxurrada costumava rodeá-la de pesados detritos… O tronco, porém, sempre adornado de milhares e milhares de folhas seivosas, parecia inabalável e invencível.
Um dia, contudo, alguns bichinhos começaram a penetrá-la de modo imperceptível.Ninguém lhes conferiria qualquer significação.
Microscópicos, incolores, quase intangíveis, que mal poderiam trazer ao gigante do solo?
Viajores e servos do campo não lhes identificaram a presença.
Mas os bichinhos multiplicaram-se, indefinidamente, invadiram as raízes e ganharam o coração da árvore vigorosa, devorando-o, pouco a pouco…
E o vegetal que superara as ameaças do céu e as tentações da Terra, em reduzido tempo, triste e emurchecido, transformava-se em lenho seco, destinado ao fogo.
Assim também, meu caro, são muitas das associações respeitáveis, quando não acautelam contra os perigos, aparentemente sem importância. São admiráveis na caridade e na resistência aos golpes do exterior. Suportam, com heroísmo e serenidade, estranhas provações e contundentes pedradas. Afrontam a calúnia e a maldade, a perseguição e o menosprezo público, dentro de inalterável paciência e indefinível força moral…
Visitadas, entretanto, pelos vermes invisíveis da inveja ou do ciúme, da incompreensão ou da suspeita, depressa se perturbam e se desmantelam, incapazes de reconhecer que os melindres pessoais são parasitos destruidores das melhores organizações do espírito.
Quando o “disse-me-disse” invade uma instituição, o demônio da intriga se incumbe de toldar a água viva do entendimento e da harmonia, aniquilando todas as sementes divinas do trabalho digno e do aperfeiçoamento espiritual.
Que fazer? – pergunta você assombrado.
Dentro de minha nova condição, apenas conheço um remédio: nossa adaptação individual e coletiva à prática real do Evangelho do Cristo.Contra os corrosivos bichinhos do egoísmo degradante, usemos os antissépticos da Boa Nova.
“- Se alguém quiser alcançar comigo a luz divina da ressurreição – disse o senhor -, negue a si mesmo, tome a cruz dos próprios deveres, cada dia, e siga os meus passos.”
Quando pudermos realizar essa caminhada, com esquecimento de nossas carunchosas suscetibilidades, estaremos fora do alcance dos sinistros micróbios da treva, imunizados e tranqüilos em nosso próprio coração.
Cartas e Crônicas – Humberto de Campos

Psicografado por Francisco C.Xavier

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Reflexão

"O que for teu desejo, assim será tua vontade;
O que for tua vontade, assim serão teus atos;
O que forem teus atos, assim será teu destino."
Deepak Chopra


A esperança adiada desfalece o coração,
mas o desejo atendido é árvore de vida.

Provérbios 13:12

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Obras Básicas do Espiritismo


Leia e estude as obras básicas do Espiritismo,
procure a biblioteca de sua Casa Espírita
(Fonte: site www.adde.com.br)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sobre fazer o bem



O sol não espera que lhe supliquem
para derramar sua luz e calor.
Imita-o, e faça todo o bem que puderes,
sem que te implorem.
Epecleto



Não deixes de fazer bem a quem o merece,
estando em tuas mãos a capacidade de fazê-lo.

Provérbios 3:27

domingo, 8 de agosto de 2010

DIA DOS PAIS


Em O Livro dos Espíritos, questão nº 582, Allan Kardec pergunta aos Espíritos:

"Pode considerar-se como missão a paternidade?

Eis a resposta:

É, sem contradita, uma verdadeira missão; é ao mesmo tempo grandíssimo dever e que envolve, mais do que pensa o homem, a sua responsabilidade quanto ao futuro. Deus colocou o filho sob a tutela dos pais para que estes o dirijam no caminho do bem, e facilitou sua tarefa dando-lhe uma organização frágil e delicada que o torna acessível a todas as impressões. Mas há os que se ocupam mais em endireitar as árvores do seu jardim e as fazer produzir muitos e bons frutos, que endireitar o caráter de seu filho. Se este sucumbe por sua falta, carregarão a pena, e os sofrimentos do filho na vida futura recairão sobre eles, porque não fizeram o que dependia deles para seu adiantamento no caminho do bem".

CLARO ESCURO

"Conta-me...

Como é o sol, lua sincera?

Encanta-me...

Teu lume azul, tua esfera.

Daríamos valor ao dia

Se a noite não nos fosse companhia?

Teria eu tua presença, sol, astro amigo

Se o claro fosse do escuro inimigo?

E as cores, na ausência da intensidade

Pintariam retratos com tanta propriedade?

E a luz própria, que procuramos descobrir

Teria algum sentido em surgir?

Se tudo nascesse claridade

E da penumbra não surgisse...

Onde estaria a felicidade

No fim de uma jornada que não existisse?

Conta-me...

Como é o sol, lua sincera?

Encanta-me...

Teu lume azul, tua esfera."

O poema nos fala da evolução humana, e dos caminhos que trilhamos para alcançar o objetivo maior, a sublimidade, a perfeição.

O processo evolutivo não dá saltos. Tudo no Universo segue desenvolvimentos graduais, desde as transformações das galáxias, dos globos, até o crescimento moral dos Espíritos.

Não há criatura no Universo criada perfeita. A perfeição é finalidade de todos, e não há privilégios na Criação Divina.

Os anjos, por exemplo, são apenas Espíritos Superiores, que alcançaram este estágio de beleza moral e intelectual por seus próprios esforços.

Partimos todos, sem exceção, da ignorância e da simplicidade, destinados à felicidade, à perfeição.

Seguimos nossos caminhos fazendo escolhas, regidos pela Lei maior de Causa e Efeito, voltando à carne tantas e tantas vezes para desenvolver nossas virtudes, semeadas nos jardins íntimos da potencialidade.

Criaturas de Deus - desta Inteligência Suprema e Causa Primeira de todas as coisas - levamos as Leis maiores do Universo nas vastas naves da consciência.

Criaturas de Deus, trazemos a possibilidade do contato constante com o Pai, através da oração sincera e da confiança raciocinada nos mecanismos educacionais da vida.

Criaturas de Deus, partimos da penumbra, da ausência das virtudes no coração, com o objetivo de conquistar a luminescência própria, assim como os astros do Cosmos que aprendemos a chamar de sóis.

* * *

Todos trazemos o sol potencial em nossas almas...

Todos trazemos a perfeição potencial em nossas almas...

Resta-nos seguir, e seguir em frente, conquistando a felicidade em cada alvorada, em cada nova oportunidade que o Criador nos concede de darmos mais um passo, de brilhar um pouco mais nossa luz.

Resta-nos seguir, seguir e amar, pois não há senda mais segura e agradável do que aquela apontada pelo amor...



Autor:
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no poema Claro escuro, de Andrey Cechelero.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

XIII MÊS ESPÍRITA - AGOSTO 2010




Associação Espírita "Fé, Amor e Caridade"

Paulo de Faria / SP


AGENDA DE PALESTRAS

DIA 04 DE AGOSTO DE 2010 - 20H00
ORADOR: DR. PEDRO BONILHA (JALES/SP)
TEMA: "CHICO XAVIER"

DIA 11 DE AGOSTO DE 2010 - 20H00
ORADORA: CRISTINA FONSECA (VOTUPORANGA/SP)
TEMA: "O PARALÍTICO DE KIEV E O PRÓXIMO"

DIA 17 DE AGOSTO DE 2010 - 20H00
ORADOR: JAMIRO SANTOS FILHO )ARAGUARI/MG)
TEMA: "JERÔNIMO MENDONÇA E A FÓRMULA DA FELICIDADE"

DIA 18 DE AGOSTO DE 2010 - 20H00
ORADOR: ROUVEL RAVENA (FRUTAL/MG)
TEMA: "O FIO PARTIDO"

DIA 25 DE AGOSTO DE 2010 - 20H00
ORADOR: FELIPE SALOMÃO (FRANCA/SP)
TEMA: "ESTUDO SOBRE O PERISPÍRITO"


Sua presença tem especial importância!



Visite também a "XIV Feira do Livro Espírita"

A CORTINA...

... A cortina que separa as minhas canções das tuas por um momento esvoaçou ao vento. Então vi que a luz da tua manhã estava repleta das canções mudas que eu jamais cantei... Pensei que as aprenderia aos teus pés, e sentei-me, em silêncio.

Tagore

sexta-feira, 30 de julho de 2010

PRÁTICA ESPÍRITA


O Estudo das obras de Allan Kardec é fundamental para o correto conhecimento da Doutrina Espírita.


Toda a prática espírita é gratuida, dentro do princípio do Evangelho: "Dai de graça o que de graça recebeste".


A prática espírita é realizada sem nenhum culto esterior, dentro do princípio cristão de que Deus deve ser adorado em Espírito e Verdade.


O Espiritismo não tem corpo sacerdotal e não adota e nem usa em suas reuniões e em suas práticas: altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgência, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso, fumo, talismãs, amuletos, hor´socopos, cartomancia, pirâmides, búzios ou quaisquer outros objetos, rituais ou formas de culto exterior.


O Espiritismo não impõe os seus princípios. Convida os interessados em conhecê-los, a submeter os seus ensinos ao crivo da razão, antes de aceitá-los.

A mediunidade, que permite a comunicação dos Espíritos com os homens, é uma faculdade que muitas pessoas trazem consigo ao nascer, independentemente da religião ou da diretriz doutrinária de vida que adote.


Prática mediúnica espírita só é aquela que é exercida com base nos princípios da Doutrina Espírita e dentro da moral cristã.


O Espiritismo respeita todas as religiões, valoriza todos os esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização entre todos os homens, independentemente de sua raça, cor, nacionalidade, crença, nível cultural ou social. Reconhece, ainda, que "o verdadeiro homem de bem é aquele que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza".


*

"Nascer, morrer, renascer, ainda, e progredir sempre, tal é a lei".


"Fé inabalável só é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade".

terça-feira, 27 de julho de 2010

A FORÇA DOS NOSSOS PÉS




Desde o dia em que tu nasceste, eu criei a ilusão, dentro de mim, que poderia caminhar por ti.

Imaginei que colocaria teus pés sobre os meus e te levaria pelos caminhos que eu julgasse mais tranqüilos e seguros.
Dessa maneira, tu nunca feririas teus pés pisando em espinhos ou em cacos de vidro e jamais se cansaria da caminhada, nem mesmo precisarias decidir qual estrada tomar.

Isso seria eternamente minha responsabilidade....

E foi assim durante um bom tempo, caminhei por ti, para ti.

De repente, o tempo veio me avisar bruscamente que essa deliciosa tarefa não faria mais parte dos meus dias.

Teus pés cresceram e eu já não conseguia mais equilibrá-los em cima dos meus, daí quando eu menos esperava eles escorregaram e alcançaram o solo.

Hoje sou obrigada a vê-los trilhar caminhos nos quais os meus jamais os levariam e ainda tento detê-los insistentemente, mas só raríssimas vezes consigo. Agora só me é permitido correr com os meus junto aos teus e em certos momentos teus passos são tão largos que quase não posso acompanhá-los.

As vezes, assisto aos teus tropeços sempre pronta para levantar-te das tuas quedas.

Por vezes, tu me estendes as tuas mãos em busca de socorro, outras, mesmo estando estirado ao chão e ferido, insistes em levantar-te sozinho por puro orgulho ou para me provar que já és capaz de erguer-te após teus tombos e curar-te de tuas próprias feridas.

Assim vamos vivendo e sinto uma saudade imensurável daquele tempo que precisavas de mim para conduzi-lo, pois era bem mais fácil suportar teu peso sobre meus pés, do que sobre meu coração.

No entanto, já consigo compreender como a vida é sábia. Percebo, finalmente, que em algum momento tu precisaste mesmo desbravar teus caminhos independente de mim, afinal não tarda muito, serei eu que precisarei de teus pés sob os meus e tu só terás forças para me conduzir porque te permiti caminhar por um bom período sozinho, aprendendo assim a difícil tarefa de viver.

Que tu tenhas a resistência necessária para suportar meu peso sobre teus pés como eu tive para suportar os teus.

É bem verdade que farás isso por um tempo inferior ao que eu fiz, mas como eu, é provável que tenhas que fazê-lo com mais alguns pés sobre os teus, os dos teus filhos.

Não, claro que não é uma tarefa fácil, mas se eu consegui, tu também conseguirás porque plantei em teu coração o melhor e mais poderoso aditivo para que suportes tanto peso, o amor!
Recebi este texto da minha amiga Neuza e resolvi dividir com meus filhos e minhas amigas mães!
Tenho certeza que cada mãe já viveu ou viverá experiência parecida.
E é muito bom saber que em algum lugar, em algum tempo, alguém já viveu fato semelhante.
Obs.: Não sei quem é o autor.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

ESOPO E A LÍNGUA

Esopo era um escravo de rara inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia.
Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:
- Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado.
- Como? Perguntou o amo surpreso. Tens certeza do que está falando? Como podes afirmar tal coisa?
- Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra.
Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos voltou carregando um pequeno embrulho.
Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua, e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para explicar-se.
- Meu amo, não vos enganei, retrucou Esopo.
- A língua é, realmente, a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir.
- Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos.
- Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?
- Boa, meu caro, retrucou o amigo do amo. Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo.
- É perfeitamente possível, senhor, e com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda terra.
Concedida a permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote semelhante ao primeiro.
Ao abri-lo, os amigos encontraram novamente pedaços de língua. Desapontados, interrogaram o escravo e obtiveram dele surpreendente resposta:
- Por que vos admirais de minha escolha?
- Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores se transforma no pior dos vícios.
- Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais. Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido.
- Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social.
- Acaso podeis refutar o que digo? Indagou Esopo.
Impressionados com a inteligência invulgar do serviçal, ambos os senhores calaram-se, comovidos, e o velho chefe, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade.
Esopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da antigüidade e cujas histórias até hoje se espalham por todo mundo.

O CARÁTER E A INTELIGÊNCIA

O caráter e a inteligência podem impressionar as pessoas, mas é o amor que damos a alguém, que nos fazem brilhantes, e inesquecíveis em sua vida.
Porque o amor torna as pessoas indispensáveis.
Assim, se você quiser acender um sorriso, iluminar um coração ou acordar a esperança em alguém precisa se lembrar de uma coisa: as pessoas se alegram com a sua inteligência, apreciam o seu caráter, mas precisam mesmo é do seu amor!
Maravilhas nunca faltaram ao mundo...o que sempre falta é a capacidade de senti-las e de admirá-las.

(Mario Quintana)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O BAILADO DAS NOTAS

As notas são sete e todos as conhecemos. Mas a combinação delas é infinita e surpreendente! Com essas sete notas podemos compor uma música ritmada, barulhenta, uma sinfonia harmoniosa, uma música New Age transcendental e nesta criação, houve uma escolha. Alguém usou seu livre-arbítrio para criar o que seu sentimento ditou. Tenho percebido isto ouvindo meus CDs e compreendido como é lindo o bailado das notas que se combinam em harmonias infinitamente diversas. Quão belo pode ser o resultado...Assim é tudo que nos cerca. Em essência somos partículas luminosas de Deus, compondo uma sinfonia complexa, aparentemente difícil de ser compreendida, mas que no fundo é simples. Partículas que se combinam, manifestando realidades diversas, aparentemente completamente diferentes umas das outras, mas iguais, quando as analisamos em profundidade.O que nunca podemos esquecer é que sempre temos a possibilidade de escolher como vamos nos expressar. Se de forma harmoniosa, serena, se de maneira mais marcada, mais forte, mais cheia de acordes fortes e ritmos eletrizantes. Tudo acaba sendo vida e cabe na grande sinfonia.Quando a imagem das notas me veio à consciência, a música ganhou para mim uma beleza nova, uma importância maior. De onde vem a capacidade que um ser humano tem de agrupar sete notinhas de forma tão admirável? E o que surge é tão belo, tão tocante, muitas vezes tão inspirador, tão calmante, tão transformador. De outras, pode surgir um som tão comovente, que nos arranca lágrimas, pois mexe com nossa emoção guardada e até ignorada... Pode ser alucinante, excitante, deixando-nos em contato com os instintos mais primários existentes em nós.Assim também são os nossos pensamentos... Nossas atitudes, nossos sentimentos. Vão se manifestando, de alguma maneira, atingindo o ambiente em torno de nós, aumentando as sombras, ou iluminando a escuridão.Dizem que a Terra tem sua música própria e penso que cada um de nós deve ter a sua, também, embora não tenhamos a condição, ainda, de ouvi-la. Temos cor, isto já está provado pela própria ciência e logo, também somos som.Sentindo-nos parte da Sinfonia Cósmica, influindo nela, penso que nos damos o valor merecido, como expressão de Deus.A música é a arte maior, pois ela não tem fronteiras. As sete notinhas combinadas serão sentidas por todos. Independente da cor, da geografia, da cultura, da evolução. Talvez os sons que ouvimos retratem de forma mais palpável a música que existe e à qual não temos acesso e da qual fazemos parte.É muito bom ouvir prestando atenção ao movimento dos sons, da mesma forma que é muito importante viver, observando cuidadosamente tudo que nos acontece, sabendo que nos traz algo imprescindível, naquele momento.Dizem que existe música no silêncio. Deve existir, realmente, pois o som e a cor são vibrações inerentes ao viver e preenchem tudo. Mesmo o que dizemos ser "nada", existe!Envoltos em que sons queremos viver?
Por Maria Cristina - tina.lc@hotmail.com

quarta-feira, 7 de julho de 2010

PRESENTE PERFEITO

Respirar no presente perfeito, cantar no coro das esferas, dançar na ciranda do mundo, rir o eterno riso de Deus, é o que nos cabe como parte da felicidade. (...) Essa música infinita, essa eternidade de sons plenos e de brilho dourado é o presente perfeito, que não conhece tempo e história, antes e depois. (Hermann Hesse)

sábado, 3 de julho de 2010

VINTE MODOS

Modos com que nós, espíritas, perturbamos a marcha do Espiritismo:

Esquecer a reforma íntima.

Desprezar os deveres profissionais.
Ausentar-se das obras de caridade.
Negar-se ao estudo.
Faltar aos compromissos sem justo motivo.
Rogar privilégios.
Escapar deliberadamente dos sofredores para não prestar-lhes pequeninos serviços.
Colocar os princípios espíritas à disposição de fachadas sociais.
Especular com a Doutrina em matéria política.
Sacrificar a família aos trabalhos da fé.
Açambarcar muitas obrigações, recusando distribuir a tarefa com os demais companheiros ou não abraçar incumbência alguma, isolando-se na preguiça.
Afligir-se pela conquista de aplausos.
Julgar-se indispensável.
Fugir ao exame imparcial e sereno das questões que concernem à clareza do Espiritismo, acima dos interesses e das pessoas.
Abdicar do raciocínio, deixando-se manobrar por movimentos ou criaturas que tenham sutilmente ensombrar a área do esclarecimento espírita com preconceitos e ilusões.
Ferir os outros com palavras agressivas ou deixar de auxiliá-los com palavras equilibradas no momento preciso.
Guardar melindres.
Olvidar o encargo natural de cooperar respeitosamente com os dirigentes das instituições doutrinárias.
Lisonjear médiuns e tarefeiros da causa espírita.
Largar aos outros responsabilidade que nos competem.


Pelo Espírito André Luiz - Do livro: Opinião Espírita, Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

SOBRE MÚSICA

"A música é capaz de reproduzir
em sua forma real,
a dor que dilacera a alma
e o sorriso que inebria."

(Beethoven)