quinta-feira, 31 de maio de 2012

Prefácio Evangelho 2º Espiritismo


Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos.
Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos.
As grandes vozes do Céu ressoam como sons de trombetas, e os cânticos dos anjos se lhes associam. Nós vos convidamos, a vós homens, para o divino concerto. Tomai da lira, fazei uníssonas vossas vozes, e que, num hino sagrado, elas se estendam e repercutam de um extremo a outro do Universo.
Homens, irmãos a quem amamos, aqui estamos junto de vós. Amai-vos, também, uns aos outros e dizei do fundo do coração, fazendo as vontades do Pai, que está no Céu: Senhor! Senhor!... e podereis entrar no reino dos Céus.
O ESPÍRITO DE VERDADE
Prefácio Evangelho segundo o Espiritismo
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NOTA - A instrução acima, transmitida por via mediúnica, resume a um tempo o verdadeiro caráter do Espiritismo e a finalidade desta obra; por isso foi colocada aqui como prefácio.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pessoas são como músicas.


Estesia

Estesia

Quando a Tua carruagem de Sol nascente surgiu na madrugada da minha vida, eu podia extasiar-me com a visão das nuvens coando a claridade do Dia quais plumas oscilantes ao vento...
Entreteci, então, minhas horas, na contemplação da beleza, rico de luzes interiormente, sem olhar a erva tenra do caminho, submissa aos meus pés, ou a borda ladeante por onde seguiam as minhas ansiedades.
Não vendo o solo, absorto na visão do firmamento, não escutei os gemidos nem me detive na dor lamentosa...
Preocupado com a estesia de fora evitei a tristeza, marginalizando o sofrimento alheio que passava por mim em ritmo acelerado...
Mais tarde, eu já andava nos trilhos da idade adulta e o Teu carro de fogo em plenitude, ardente, fazia-me extasiar ante a Tua espada flamejante, cravejada de labaredas voluptuosas que avermelhavam dourando a Terra...
O amor chamou-me a atenção, dei o que tinha, porém desejei seguir além...
A doce música da canção da sua voz, nos meus ouvidos, enternecia minha alma, todavia, a magia da beleza me chamava para mais além.
Eu era jovem então, não sabendo o que era a vida.
Ao cair da tarde, com a visão cansada pelos anos vividos ainda me extasiei com o forte poente, por detrás de cujos leques esgarçados em cores múltiplas desaparecia o Teu veículo viajor...
A velhice enevoou as minhas experiências e o licor juvenil amadureceu no odre do meu coração. Saí, tentando, em vão, reencontrar-Te, estranho e profundo amor, no chão para onde o corpo alquebrado se curva e no qual a vista se detém.
Sinto que passas e, mesmo sem ver-Te, ouço-Te cantando as oportunidades da real alegria, tarde demais, para mim...
Persegui a beleza e perdi a hora de dar-me à aflição, em nome do amor que se transforma na juventude da eterna beleza e da intérmina paz.
...É noite, e cerro os olhos, enquanto a morte me abre a porta da libertação, chamando-me ao encontro contigo e eu me extasio com as estrelas engastadas no veludo azul-escuro do zimbório, formando uma estrada coruscante por onde deverei seguir.
Artista da Vida, quanta estesia na Tua realização!
A Tua voz que canta, na música da Natureza, continua na harpa dos meus sentimentos a irradiar sons e beleza, chamando-me no rumo do Teu amor sem interrupção.
Imortal, antes do tempo e depois das eras, debruço-me na janela da eternidade para que a magia da Tua obra me una cada vez mais a Ti, embriagando-me de felicidade.

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Em Tua homenagem aqui deponho o meu rosário de canções aos ouvidos do mundo, e principalmente de quem, porque ainda não Te encontrou, nega-se a descobrir-Te na estesia da Vida.

Tagore
Salvador, 05 de maio de 1984

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(Divaldo Pereira Franco - Rabindranath Tagore - Livro: Estesia)



sábado, 26 de maio de 2012

O Som

O Som

"Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preprarará para a batalha?" 
Paulo. (I Cotíntios, 14:8.)


Ninguém julguem sejam necssários grandes cataclismas para que se efetue a modificação de planos da criatura.
O homem pode mudar-se de esfera, sem alarido cósmico, e as zonas superiores e inferiores representam graus de vida, na escala do Infinito.
Elevação e queda, diante da própria consciência, constituem impulso para cima ou para baixo, no campo ilimitado de manifestação do espírito imperecível.
Toda modficação para melhor reclama luta, tanto quanto qualquer ascensão exige esforço.
É imprescindível a preparação de cda um para a subida espiritual.
É natural, portanto, que os vanguardeiros sejam porta-vozes a todos aqueles que acompanham o trabalho de melhoria, aglomerados em multidão.
Eis por que, personificando no discípulo do Evangelho a trombeta viva do Cristo, dele devemos esperar avisos seguros.
Em quase todos os lugares, observamos os instrumentos de sons inscertos que dão notícia do serviço a fazer, mas não revelam caminhos justos.
Na maioria dos núcleos d Cristianismo renascente, deparam-se-nos trabalhadores altamente dotados de luz espiritual, que duvidam de si mesmos, companheiros valiosos cuja fé somente vibra em descontínuas fulgurações.
É necessário compreender, porém, que o som incerto não atende ao roteiro exato. Serve para despertar, mas não fornece orientação.
Os aprendizes da Boa Nova constituem a instrumentalidade do Senhor. Sabemos que, coletivamente, permanecem todos empenhados em servi-lo, entretanto, ninguém olvide a necessidade de afinar a trombeta dos sentimentos e pensamentos pelo diapasão do Divino Mestre, para que a interferência individual não se faça nota dissonante no sublime concerto do serviço redentor.

(Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel - Vinha de Luz)

2 anos



Meu espaço está completando 2 anos.
Meu recanto de sonho, de alegria, de construção da minha personalidade na busca da paz.
Obrigada a todos que por aqui passaram e me fizeram companhia.
Obrigada aqueles que gostaram da minha companhia e aqui ficaram.

Mara



A Mara é a minha irmã. Ela chegou neste mundo logo depois de mim. Um ano e três meses é a nossa diferença de idade. E as diferenças foram se apresentando: eu clarinha, ela morena; meu cabelo cacheado como dizia a minha avó, o dela liso, preto; eu introvertida, silenciosa, ela extrovertida, alegre, falante, gênio forte, determinada, contestadora, brigona.
Continuamos assim: diferentes em tudo, mas nos completando nestas mesmas diferenças que tem estreitado os laços que nos unem. A Mara tem sido minha fortaleza em momentos de dificuldades, em momentos de dores. Tem sido também a minha alegria em vê-la vencendo as suas dores, as suas limitações, alcançando objetivos traçados e desejados.
Ao longo das nossas vidas temos compartilhado tantas coisas, tantas experiências, agora compartilhamos também o Miguel, somos avós dele, pois a Mara sempre teve a Dani como filha, e eu nunca tive ciúme desse amor, nem do amor pelo Miguel, pois não há disputa, competição. Apenas mais uma a amar como mãe e avó, minha filha e meu neto.
Ela diz que adotou a Dani porque é a sua madrinha, mas eu sei que ela adotou como filhos do coração meus três filhos, como adotou também os outros sobrinhos, mesmo ela não sabendo disso conscientemente. Suas atitudes sempre disseram isso.
Atitudes do seu coração generoso, sempre pronto a acolher mais um, oferecer a mais um o que ele tem pra dar na medida da necessidade de quem precisa.
Mesmo havendo, como já disse, grandes diferenças observo que carregamos quase a mesma história de vida. Quando a Mara esteve doente vi que nela grande parte de mim vivia, a cura dela era a minha parte continuando viva e isso fortaleceu muito a nossa amizade, a nossa cumplicidade.
Hoje é seu aniversário, e eu torço pra que seja a marca de um tempo novo pra ela. Livre da doença, livre do medo, pronta pra ser feliz. É o que te desejo minha irmã: vida longa, próspera de alegria e felicidade. 
Fica aqui registrado o meu respeito, a minha gratidão e o meu amor por você.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O que é a Arte?


Que é a Arte?
Emmanuel - A Arte pura é a mais elevada contemplação espiritual por parte das criaturas. Ela significa a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse “mais além” que polariza as esperanças da alma.
O artista verdadeiro é sempre o “médium” das belezas eternas e o seu trabalho, em todos os tempos, foi tanger as cordas mais vibráteis do sentimento humano, alçando-o da Terra para o Infinito e abrindo, em todos os caminhos, a ânsia dos corações para Deus, nas suas manifestações supremas de beleza, de sabedoria, de paz e de amor.
Todo artista pode ser também um missionário de Deus?
Emmanuel - Os artistas, como os chamados sábios do mundo, podem enveredar, igualmente, pelas cristalizações do convencionalismo terrestre, quando nos seus corações não palpite a chama dos ideais divinos, mas, na maioria das vezes, têm sido grandes missionários das idéias, sob a égide do Senhor, em todos os departamentos da atividade que lhes é própria, como a literatura, a música, a pintura, a plástica.
Sempre que a sua arte se desvencilha dos interesses do mundo, transitórios e perecíveis, para considerar tão-somente a luz espiritual que vem do coração uníssono com o cérebro, nas realizações da vida, então o artista é um dos mais devotados missionários de Deus, porquanto saberá penetrar os corações na paz da meditação e do silêncio, alcançando o mais alto sentido da evolução de si mesmo e de seus irmãos em humanidade.
Os Espíritos desencarnados cuidam igualmente dos valores artísticos no plano invisível para os homens?
Emmanuel - Temos de convir que todas as expressões de arte na Terra representam traços de espiritualidade, muitas vezes estranhos à vida do planeta.
Através dessa realidade, podereis reconhecer que a arte, em qualquer de suas formas puras, constitui objeto da atenção carinhosa dos invisíveis, com possibilidades outras que o artista do mundo está muito longe de imaginar.
No Além, é com o seu concurso que se reformam os sentimentos mais impiedosos, predispondo as entidades infelizes às experiências expiatórias e purificadoras. E é crescendo nos seus domínios de perfeição e de beleza que a alma envolve para Deus, enriquecendo-se nas suas sublimadas maravilhas.
Pode alguém fazer-se artista tão-só pela educação especializada em uma existência?
Emmanuel - A perfeição técnica, individual de um artista, bem como as suas mais notáveis características, não constituem a resultante das atividades de uma vida, mas de experiências seculares na Terra e na esfera espiritual, porquanto o gênio, em qualquer sentido, nas manifestações artísticas mais diversas, é a síntese profunda de vidas numerosas, em que a perseverança e o esforço se casaram para as mais brilhantes florações da espontaneidade.
Como devemos compreender o gênio?
Emmanuel - O gênio constitui a súmula dos mais longos esforços em múltiplas existências de abnegação e de trabalho, na conquista dos valores espirituais.
Entendendo a vida pelo seu prisma real, muita vez desatende ao círculo estreito da vida terrestre, no que se refere às suas fórmulas convencionais e aos seus preconceitos, tornando-se um estranho ao seu próprio meio, por suas qualidades superiores e inconfundíveis.
Esse é o motivo por que a ciência terrestre, encarcerada nos cânones do convencionalismo, presume observar no gênio uma psicose condenável, tratando-o, quase sempre, como a célula enferma do organismo social, para glorificá-lo, muitas vezes, depois da morte, tão logo possa apreender a grandeza da sua visão espiritual na paisagem do futuro.
Com tantas qualidades superiores para o bem, pode o artista de gênio transformar-se em instrumento do mal?
Emmanuel - O homem genial é como a inteligência que houvesse atingido as mais perfeitas condições de técnica realizadora, por haver alcançado os elementos da espontaneidade; essa aquisição, porém, não o exime da necessidade de progredir moralmente, iluminando a fonte do coração.
Em vista de numerosas organizações geniais não haverem alcançado a culminância de sentimento é que temos contemplado, muitas vezes, no mundo, os talentos mais nobres encarcerados em tremendas obsessões, ou anulados em desvios dolorosos, porquanto, acima de todas as conquistas propriamente materiais, a criatura deve colocar a fé, como o eterno ideal divino.
Como poderemos entender o psiquismo dos artistas, tão diferente do que caracteriza o homem comum?
Emmanuel - O artista, de um modo geral, vive quase sempre mais na esfera espiritual que propriamente no plano terrestre.
Seu psiquismo é sempre a resultante do seu mundo íntimo, cheio de recordações infinitas das existências passadas, ou das visões sublimes que conseguiu apreender nos círculos de vida espiritual, antes da sua reencarnação no mundo.
Seus sentimentos e percepções transcendem aos do homem comum, pela sua riqueza de experiências no pretérito, situação essa que, por vezes, dá motivos à falsa apreciação da ciência humana, que lhe classifica os transportes como neurose ou anormalidade, nos seus erros de interpretação.
É que, em vista da sua posição psíquica especial, o artista nunca cede às exigências do convencionalismo do planeta, mantendo-se acima dos preconceitos contemporâneos, salientando-se que, muita vez, na demasia de inconsideração pela disciplina, apesar de suas qualidades superiores, pode entregar-se aos excessos nocivos à liberdade, quando mal dirigida ou falsamente aproveitada.
Eis por que, em todas as situações, o ideal divino da fé será sempre o antídoto dos venenos morais, desobstruindo o caminho da alma para as conquistas elevadas da perfeição.
No caso dos artistas que triunfaram sem qualquer amparo do mundo e se fizeram notáveis tão-só pelos valores da sua vocação, traduzem suas obras alguma recordação da vida no Infinito?
Emmanuel - As grandes obras-primas da arte, na maioria das vezes, significam a concretização dessas lembranças profundas. Todavia, nem sempre constituem um traço das belezas entrevistas no Além pela mentalidade que as concebeu, e sim recordações de existências anteriores, entre as lutas e as lágrimas da Terra.
Certos pintores notáveis, que se fizeram admirados por obras levadas a efeito sem os modelos humanos, trouxeram à luz nada mais nada menos que as suas próprias recordações perdidas no tempo, na sombra apagada da paisagem de vidas que se foram.
Relativamente aos escritores, aos amigos da ficção literária, nem sempre as suas concepções obedecem à fantasia, porquanto são filhas de lembranças inatas, com as quais recompõem o drama vivido pela sua própria individualidade nos séculos mortos.
O mundo impressivo dos artistas tem permanentes relações com o passado espiritual, de onde extraem eles o material necessário à construção espiritual de suas obras.
O grandes músicos, quando compõem peças imortais, podem ser também influenciados por lembranças de uma existência anterior?
Emmanuel - Essa atuação pode verificar-se no que se refere às possibilidades e às tendências, mas, no capítulo da composição, os grandes músicos da Terra, com méritos universais, não obedecem a lembranças do pretérito, e sim a gloriosos impulsos das forças do Infinito, porquanto a música na Terra é, por excelência, a arte divina.
As óperas imortais não nasceram do lodo terrestre, mas da profunda harmonia do Universo, cujos cânticos sublimes foram captados parcialmente pelos compositores do mundo, em momentos de santificada inspiração.
Apenas desse modo podereis compreender a sagrada influência que a música nobre opera nas almas, arrebatando-as, em quaisquer ocasiões, às idéias indecisas da Terra, para as vibrações do íntimo com o Infinito.
De modo geral, todos os homens terão de buscar os valores artísticos para a personalidade?
Emmanuel - Sim; através de suas vidas numerosas a alma humana buscará a aquisição desses patrimônios, porquanto é justo que as criaturas terrenas possam levar da sua escola de provações e de burilamento, que é o planeta, todas as experiências e valores, suscetíveis de serem encontrados nas lutas da esfera material.
Emmanuel
(Da Obra “O Consolador” – Psicografado por Francisco Cândido Xavier – Ed. FEB)